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Tucanos no foco Uma vez no governo, partidos esquecem suas convicções e adotam os defeitos uma vez criticados nos adversários. Depois de ter sofrido por oito anos com a oposição do PT ao governo Fernando Henrique Cardoso, agora, o PSDB é quem atazana o governo Lula. Mas, no estado de São Paulo, os papéis se invertem novamente. E são os petistas que não deixam o governador tucano em paz. Tão diferentes, tão iguais... A última tentativa do PSDB em desestabilizar o governo foi a instalação da CPMI dos Cartões Corporativos que foi encerrada melancolicamente, sem que nada fosse esclarecido e ninguém punido. Em São Paulo, governado pelos tucanos desde 1995, os petistas tentam criar, na Assembléia Legislativa, uma CPI para apurar o caso Alstom. Mas, da mesma forma que o governista recorre à base aliada no Congresso para evitar maiores estragos, o governador José Serra conta com uma tropa de choque na assembléia paulista para evitar danos. Por mais que os petistas tentem - como fizeram ao apresentar sete requerimentos -, nada conseguem – todos foram rejeitados. Os Ministérios Públicos Estadual e Federal prometem atrapalhar os deputados e já começaram a analisar documentos que revelam propinas pagas a políticos e autoridades no valor de R$ 13,5 milhões. Os tucanos que tanto lutaram para colar o dossiê em Dilma Roussef, agora tremem em pensar na associação do ex-governador e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, às propinas pagas pela Alstom. Se bem que se o caso fizer Alckmin cair nas pesquisas, ficando ainda mais longe de Marta Suplicy, muitos tucanos vão comemorar. Afinal, há uma parte do partido que prefere apoiar o democrata Gilberto Kassab à reeleição. Enquanto Serra, ao público, defende a apuração total das denúncias, seus deputados vão empurrando a sujeira para debaixo do tapete. Com o apoio de mais de 75% dos membros da CPI, o PSDB encara bem seu papel de vidraça. Tem que torcer para o PT não ser mais eficientes do que a oposição tem sido no governo Lula.
Equipe da Carta Congresso
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